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wFalta Coisa |
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Reflexões sobre dias cinzentos
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wTerça-feira, Agosto 02, 2005 |
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Quando Tim terminou o relacionamento, sofreu em demasia. Passou noites em claro, à espera de um conforto que não chegava. Escrevia cartas de amor que nunca foram entregues, balbuciava o nome de Sarah em momentos de tristeza, que se tornaram constantes. Enxergava o rosto de sua amada em todas as outras pessoas, cansou de olhar as placas dos automóveis para ver se a encontrava solta pela rua. Pendurou sua foto no retrovisor do carro, tudo para impedir que o tempo levasse embora a lembrança. Mesmo ciente que ela nunca voltaria, mantinha-se feliz com a possibilidade de não esquecer os melhores dias de sua vida.
Nos primeiros momentos esperou que ela fosse ligar. Desesperadamente, agarrava-se ao telefone e dizia para si mesmo que tudo mudaria caso Sarah realmente o procurasse. Mas ela não o fez e Tim finalmente pensou em desistir. Decidiu que o sentimento permaneceria inalterado, mas não agüentava mais o sofrimento. Procurou então a redenção nos braços de outras mulheres. Sentia-se feliz com o interesse, mas ao deitar para dormir, no final da noite, admitia que estava se enganando. Nenhuma pessoa seria capaz de substituir o amor de sua vida em seu coração. Por isso, depois de tanto bater a cabeça contra a parede, mudou os gestos.
Marcou um dia, que seria o prazo final. Após aquele instante, nunca mais se deixaria levar pela emoção. Caso Sarah não o procurasse até o momento determinado, tudo estaria acabado, definitivamente. Provavelmente uma força superior conspirava para que aquele fosse o fim. Porém, justamente na data definida, ela apareceu e a vida de Tim simplesmente recomeçou. O rapaz conseguia respirar mais facilmente e os frios que tomavam seu corpo a cada boa ou má lembrança deixaram de existir. Sabia que felicidade era tê-la, mesmo aos poucos, mesmo envenenado pela dor da traição que marcara o término do relacionamento anterior.
Novamente, eventualidades interferiram e os dois não conseguiram se manter unidos. E Tim voltou a sofrer, desta vez de uma maneira quase descontrolada. Seu coração estava partido, vivia escondido pelos cantos a lamentar a ausência de sua metade, que lhe acrescentava sabor à vida. Chorava sozinho e concedeu à existência um novo significado. Ninguém poderia ajudá-lo. A diferença é que agora o garoto queria realmente deixar de amar Sarah. Ela virou as costas e disse que ia embora procurar alguém que a fizesse feliz. Tamanha dor ele não conseguiu absorver e passou a buscar também outras motivações.
Antes que pudesse imaginar, encontrou-as. Uma pessoa muito especial, conhecida com profundidade dias depois, disse-lhe para que não sofresse. Foi quase um pedido. Ele entendeu e marcou novamente uma data em sua vida. Fez chegar até mim que no final de semana tomará uma decisão importante. O sentimento por Sarah deixará de fazer sentido após esta data. Isto porque o passado será rasgado e existirá somente como passado. Não que queira viver sem ela, muito pelo contrário. A verdade é que inesperadamente conseguiu aprender, em pouco tempo de convivência. Nos últimos dias, assim como eu, entendeu que, apesar de, deve amar novamente.
Comentários: faltacoisa@yahoo.com.br
posted by Leonardo Niquini at 8:31 PM
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wSegunda-feira, Agosto 01, 2005 |
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Dias depois, a garota admitiu que havia tomado a decisão errada. Realmente chegou a pensar que ainda não encontrara o grande amor de sua vida. Mas bastaram algumas horas de ausência para descobrir que tudo não passou de um momento de desespero, mal calculado. Queria voltar atrás, só que agora não sabia mais se era possível. Tinha certeza que o sentimento estava intacto, mas a consideração provavelmente teria sido deixada de lado, após mais uma decepção.
Da mesma forma que fizera anteriormente, resolveu escrever, agora para pedir desculpas. Seria a melhor atitude. Pensou que um email pudesse acertar a situação. Porém, não obteve resposta. A garota não sabia, mas ele nunca chegou a ler o que estava contido naquela mensagem. Ficou com medo de ser algo que dificultasse o esquecimento ou trouxesse consigo dores insuperáveis, justamente no momento que necessariamente exige superação. Apagou com tristeza.
Ela então mudou a tática. Comprou um belo arranjo de flores, escreveu um lindo bilhete de reconciliação e estacionou seu carro na casa do amado. Desceu, ainda tremendo, sem saber qual resposta obteria. Mesmo assim decidiu que faria valer a pena, nenhum sofrimento era superior à dor da distância. Tocou a campainha e esperou por segundos, que se transformaram em horas de aflição. E ver sua metade sair pela porta foi o suficiente para que a primeira lágrima caísse.
Olharam-se com ternura. Em silêncio, a garota estendeu as mãos e entregou as flores. Ele sorriu e a abraçou. Sentir seu cheiro novamente era mais do que havia pedido. Não conseguiu conter o choro também. Quando finalmente se soltaram, ele pegou o cartão, disposto junto ao perfumado presente. Estava feliz, embora ainda não soubesse exatamente o que aquele momento representava. Hesitou, olhou profundamente nos olhos da mulher de sua vida e começou a ler o que recebera.
Quando disse que a história seria curta, sem amor, estava enganada. Quero você por toda a eternidade. Quando disse que seria possível esquecer o cheiro ou o toque, menti. Durmo pensando em você e acordo triste por não tê-lo. Quando você pediu, fui incapaz de dizer que te amava. Mas chega. Os erros não serão repetidos. Somente quando virei as costas percebi porque você nunca me deixou. Então não é o fim e eu nunca o aceitarei, a lembrança não é suficiente.
Ele releu o bilhete. Por dois bons motivos. Queria acreditar que era verdade e também tomar uma decisão. Estava satisfeito com a procura e mais ainda com a possibilidade de ter a garota de volta. Era muita intensidade e aquele gesto estava além de tudo o que esperava. Então levantou a cabeça e o beijo foi o mais bonito que o mundo já viu. Nenhum filme conseguiria reproduzir tamanha emoção, nenhum casal poderia ser tão feliz. Era evidente que nenhum amor era como o daqueles dois.
Comentários: faltacoisa@yahoo.com.br
posted by Leonardo Niquini at 12:10 PM
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